Aprendendo a Morrer
 

Olá,

Meu nome é Marcelo Garcia, sou um fotógrafo paulistano, estou lançando meu primeiro fotolivro e achei que talvez houvesse interesse por parte da ZUM. Assim, envio alguns detalhes sobre o projeto e fico à disposição para qualquer outra informação que julguem necessária:

 

 

O livro:

As imagens do fotolivro Aprendendo a Morrer, feitas por mim entre 2014 e 2017, retratam o público que frequenta shows de rock pesado em suas mais diferentes e extremas variações. Divididas em três blocos temáticos, as fotos se relacionam de forma oblíqua com o conto de mesmo nome, também de minha autoria.

Aprendendo a Morrer, o conto, mostra a história do difícil período na relação entre um homem e seu filho que se segue a uma separação conturbada:

 

Miguel achava que tinha as respostas para boa parte das questões da vida, que era possível controlar de forma razoável seu próprio destino. Após se separar da mãe de Pedro, uma mulher com um transtorno psiquiátrico que tenta de várias formas minar a relação entre ele e seu filho, e lidando com um sistema judiciário moroso e ineficiente, Miguel tem que admitir que esse controle não existe.

Nessa história de muitas perdas em que se apanha de todos os lados, Miguel se agarra a qualquer ponto que ele e seu filho tenham em comum. Para muitos pais e filhos esses momentos de ligação giram em torno do futebol, mas para Miguel e Pedro é o caos de um mosh pit que retrata a situação de ambos naquele momento.

 

 

Aprendendo a Morrer tem 64 páginas com fotografias em preto e branco, mede 16 x 17,5 cm e é impresso com tecnologia de ponta em papel importado de alta qualidade pela Gráfica Ipsis, uma referência em qualidade gráfica e produção de livros de fotografia. O texto do conto é impresso em um encarte de 24 páginas. As fotos, o texto e a programação visual foram feitos por mim. O livro está em fase de pré-venda na plataforma de financiamento Catarse.

 

Contexto:

 

Aprendendo a morrer surgiu de meu amor por música e fotografia. A maneira que encontrei de juntar estes dois interesses foi começar a fotografar shows.

 

Comecei um blog, dois anos atrás, onde eu costumava postar minhas fotos de concertos junto com pequenas resenhas (https://fotografistademusica.wordpress.com/). Com o tempo, criei outra publicação, desta vez em inglês, onde passsei a fazer o mesmo, tentando chamar a atenção para alguns grandes músicos e bandas brasileiras (https://medium.com/brazilian-stages).

 

Em 2015 (antes de criar os blogs), eu estava gravando o show da banda americana de thrash metal Exodus em São Paulo. O público estava particularmente agitado, o que chamou minha atenção mais do que de costume e acabei tirando várias fotos da plateia. No final do show, quando a banda tocou a música "Strike of the beast", ocorreu no meio do público o chamado "wall of death", um acontecimento frequente em shows de música extrema em que a multidão se divide em duas fileiras e, após uma contagem regressiva, as cada fileira corre em direção à outra até se chocarem. A mistura de violência consentida e caos organizada em função da catarse coletiva me impressionou bastante e, daquele momento em diante, metade das fotos que eu fiz em todos os shows de metal que assisti foi feita de frente para a platéia e de costas para o palco. Com o tempo, a série virou um ensaio fotográfico e depois um fotolivro.

 

Há outros (mas surpreendentemente não muitos) projetos de fotografia sobre pessoas que assistem a shows de rock. Meu projeto tem algumas singularidades, porém.

 

Primeiro, há um diálogo entre imagens e texto. O livro de fotos e o livreto são dois trabalhos que podem ser lidos separadamente, mas possuem uma conexão, pois cada capítulo de um corresponde a uma seção do outro.

 

Em segundo lugar, as fotos exploram a ambiguidade inerente à natureza da Fotografia, na qual uma imagem pode ser uma coisa ou outra totalmente diferente, até oposta. Essa natureza ambígua deixa aos leitores a tradução das sensações que recebem de cada peça de acordo com sua própria bagagem pessoal.

 

Como referência, dois trabalhos semelhantes que exploram a interconexão entre Fotografia e palavras que eu poderia mencionar são House of Coates, de Brad Zellar e Alec Soth e Love on the Left Bank, de Ed Van Der Elsken.

 

Curiosidades:

 

Nas fotos, o público parece muito agressivo e a violência parece real, mas é raro alguém se machucar. Apesar dos rostos e gestos agressivos, tudo não passa de uma experiência catártica onde todos vão ao espetáculo para gritar e deixar a energia interior fluir livremente. Eu vi em várias ocasiões gente caindo no chão e as pessoas em volta parando de pular para ajudar a pessoa a se levantar.


Para obter essas fotos, eu geralmente entro na clareira formada pelo mosh pit. Procuro ficar nas extremidades para evitar ser empurrado ou chutado, mas, mesmo assim, é frequente que eu seja atingido no meio do frenesi. Não é uma zona de guerra, mas tem seus riscos.


Eu compus, toquei e gravei as músicas para os vídeos relacionados à campanha. Eu não sou um músico de heavy metal, então eu tive que aprender alguns macetes para deixá-los compatíveis com o clima das fotos.

 

Eu também criei uma conta no Instagram onde estou postando as fotos que não entraram no livro. Publicarei uma foto por dia até o dia 13 de julho de 2019, o Dia Mundial do Rock. Clique na imagem abaixo para conferir e seguir @365RockHeadz:

 

Pagina do projeto no Facebook

A pré-venda do livro está no Catarse

Seguem abaixo algumas fotos que fazem parte do livro.

Um abraço!